motivação da 4ª O2I
4ª O2I |
OFICINA
de instrumentação e inovação

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To grow GDP, it is necessary to invest in R&D and human capital through training and education, but not throwing money into these areas. We must act strategically, increasing the competence and the capacity of government and private sector institutions. Think strategically about how to catalyze investments and create public-private partnerships. — Mariana Mazzucato, economist and professor at the University of Sussex, UK.
Para promover o crescimento do PIB é necessário realizar investimentos em P&D e no capital humano por meio da formação e educação, mas não "jogando dinheiro" nessas áreas. Temos que agir estrategicamente, aumentando a competência e a capacidade das instituições governamentais e das instituições do setor privado. Pensar estrategicamente sobre como catalisar investimentos e criar parcerias entre o setor público e o privado — Mariana Mazzucato, economist and professor at the University of Sussex, UK.
Desde a segunda metade do século XX, as instituições de pesquisa vêm desempenhando funções complementares à realização de investigação básica. O conhecimento resultante desses estudos tem sido, muitas vezes, de grande importância econômica. Exemplos são os instrumentos científicos que, frequentemente, transformam-se num “produto” de mercado não intencional e, de certa forma, em uma extensão da pesquisa básica. Projetados para darem resposta a requisitos específicos, após seu desenvolvimento muitas vezes fica evidente o potencial para uso desses equipamentos em outras áreas, mesmo que exigindo adaptações e modificações. As aplicações por vezes ocorrem em disciplinas e em setores muito distantes daqueles do uso original da pesquisa ou do instrumento.
A pesquisa básica em física está no cerne de muitos desses instrumentos inovadores. Ela é central, por exemplo, para o desenvolvimento recente do computador quântico, instrumento que promete revolucionar praticamente todas as áreas da vida moderna em futuro próximo. O desenvolvimento do computador quântico – e de outros instrumentos que nascem para atender à ciência, e posteriormente são utilizados em outras áreas – mostra como teorias físicas e inovação tecnológica avançam em rotas que se retroalimentam, com novos conhecimentos gerando produtos e técnicas que, por sua vez, levam a desenvolvimentos no campo teórico.
Portanto, cabe perguntar: o que fazer para que a física brasileira, reconhecida mundialmente pela participação em projetos internacionais de fronteira e por publicações nas mais conceituadas revistas da área, contribua efetivamente para a inovação no Brasil?
Uma forma de aumentar a inovação com ciência agregada é promover maior participação das empresas nos grandes projetos científicos nacionais e internacionais, pois neles, com muita frequência, se desenvolvem protótipos de novos instrumentos bastante avançados. Instituições de física como o CBPF podem ter papel importante neste sentido.
O CBPF participa de vários projetos científicos nacionais e internacionais, e pode ser um articulador de demanda para a indústria por desenvolvimento de tecnologias e instrumentos científicos avançados para uso nos experimentos envolvidos nesses projetos. Os pesquisadores e tecnologistas do CBPF têm possibilidade de articular, com as empresas, desafios científicos que impulsionem o desenvolvimento da inovação em diversos setores. Tais desenvolvimentos poderão ser utilizados pela indústria para ganhar competitividade no mercado.
Existem também outras iniciativas nesta relação entre a academia e a indústria para as quais é importante dar atenção, como por exemplo, onde a ciência pode encomendar projetos à indústria. A ciência pode induzir a inovação por meio de parcerias em que empresas geram novos produtos de alto valor agregado e ganham mercados por participarem de grandes desafios científicos em escala mundial.
A pesquisa de vanguarda requer diferentes habilidades, o que significa que profissionais com perfis diversos devem ser formados e estimulados a cooperar para sua realização. Mas, é preciso uma mudança do paradigma na formação desses profissionais, quando pensamos em sua atuação no setor produtivo. É necessário identificar aqueles pós-graduandos interessados na aplicação da ciência na indústria e oferecer a eles conhecimentos que permitam fazer a ponte entre estes dois mundos. Empreendedorismo, metodologias inovadoras, entendimento sobre o ecossistema de inovação devem constar de uma formação que prepare verdadeiramente para a atuação na inovação de base científica.
Uma vez formados, estes profissionais poderão não só atuar em empresas que possuem conhecida demanda por quadros qualificados, mas também criar seus próprios negócios de base científica. É sabido que pequenas e médias empresas são motores da inovação na atualidade. Há inúmeros casos de jovens empresas de base tecnológica – startups e spin-offs acadêmicas – adquiridas por grupos maiores, graças à inovação que trazem para seus setores.
Nesse contexto é igualmente importante que as instituições de ensino e pesquisa em ciência e tecnologia fortaleçam os mecanismos institucionais que estreitam laços entre academia e indústria. Além de promoverem o interesse e a formação para atuação na inovação com base científica, é primordial que incorporem ambientes propícios para as empresas nascentes – como incubadoras e espaços de coworking –, tirem máximo proveito dos núcleos de inovação (NITs) e fortaleçam programas que permitam aos profissionais dessas empresas realizarem projetos específicos nas instituições mediante contrapartidas ou bolsas de incentivo à inovação.
É imprescindível que o diálogo entre os ambientes acadêmico e empresarial deixe de ser tabu, que o assunto seja discutido de forma franca para que traga benefícios mútuos. É preciso igualmente comunicar aos jovens pesquisadores que a inovação com ciência agregada é opção de carreira e não algo inexequível no contexto brasileiro.
Há casos de sucesso na participação de empresas brasileiras em projetos internacionais, na colaboração entre pesquisadores e profissionais das indústrias e mesmo de empresas de base científica criadas por jovens doutores saídos das universidades e dos institutos de pesquisa. É necessário, agora, que deixem de ser casos pontuais, que as instituições fortaleçam mecanismos promotores da inovação e que mais pesquisadores compreendam a complexidade do processo de inovação, de modo que a ciência, especificamente a física, exerça plenamente seu potencial de contribuição para o desenvolvimento do país.
A difusão do conhecimento e a interação entre grupos, estudantes e especialistas que aplicam e desenvolvem Instrumentação Científica e Tecnológica é o objetivo fundamental da 4ª Oficina de Instrumentação Científica e Inovação Tecnológica (O2I) – promovida pelo Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF) e o Núcleo de Inovação Tecnológica das UPs do Rio de Janeiro – NIT-Rio.
As áreas de atuação da Instrumentação podem ser identificadas pela sinergia entre: Eletrônica, Sensores, Controle de Processos, Processamento de Sinais, Automação, Medidas, Modelagem, Métodos Computacionais, Mecânica, Pneumática, Criogenia, Nanociências e Nanotecnologia. A Instrumentação Científica e Tecnológica pode ser desenvolvida para a produção de novos materiais, dispositivos, equipamentos, sistemas, fármacos e tratamentos médicos, entre outros. As áreas de aplicação da Instrumentação abrangem a caracterização, a quantificação e o controle de parâmetros físicos, químicos, biológicos, ambientais etc.
Esta quarta edição da O2I pretende fomentar a interação entre as áreas acadêmicas e industriais voltadas à Instrumentação Científica, à Inovação Tecnológica e áreas afins por meio da realização de parcerias, acordos e convênios. Este evento também objetiva criar um ambiente profícuo para a discussão e difusão de projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação, suas metas, resultados e desafios.